Foodtechs transformam biodiversidade em oportunidades de inovação

 Foodtechs transformam biodiversidade em oportunidades de inovação

A biodiversidade do Cerrado e da Amazônia representa um importante potencial para o desenvolvimento de soluções baseadas em ciência e tecnologia. A Amazônia abriga cerca de 10% da biodiversidade global, enquanto o Cerrado é reconhecido como a savana tropical mais biodiversa do mundo. Transformar essa riqueza em conhecimento, inovação e desenvolvimento, no entanto, exige aproximar a pesquisa das demandas do mercado e da sociedade.

No Tocantins, esse debate ganha relevância pela presença dos dois biomas e pela possibilidade de integrar biodiversidade, produção agropecuária e ciência. O território reúne condições para que recursos biológicos sejam estudados e transformados em produtos, processos e negócios, ampliando o valor gerado a partir da biodiversidade e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Nesse processo, parques científicos e tecnológicos, incubadoras e estruturas de pesquisa aplicada têm papel importante ao aproximar universidades, empresas, startups, produtores, comunidades, investidores e poder público. Laboratórios, infraestrutura tecnológica, financiamento, propriedade intelectual e transferência de tecnologia também são necessários para que o conhecimento produzido avance em direção a soluções aplicadas.

Foodtechs

É nesse contexto que as foodtechs, empresas e iniciativas que utilizam ciência e tecnologia para desenvolver soluções para o sistema alimentar, podem contribuir para agregar valor à biodiversidade. A atuação inclui o desenvolvimento de novos alimentos e ingredientes, processos fermentativos, aproveitamento de coprodutos, embalagens, rastreabilidade, segurança dos alimentos e tecnologias voltadas à eficiência e à sustentabilidade das cadeias produtivas.

O potencial desse movimento também aparece nos dados do Radar Agtech Brasil 2025, que identificou 848 startups relacionadas à agregação de valor, processamento, comercialização e consumo de alimentos. Desse total, 312 atuavam com alimentos inovadores e novas tendências alimentares e 82 com biodiversidade e sustentabilidade. Em 2025, a indústria brasileira de alimentos e bebidas faturou R$ 1,388 trilhão e investiu R$ 41,3 bilhões, sendo R$ 26,7 bilhões destinados à inovação, modernização industrial e novas tecnologias.

Transformar biodiversidade em produtos e negócios, porém, envolve um percurso que vai da pesquisa à caracterização, desenvolvimento, testes, validação, produção em escala, adequação regulatória e construção de modelos de negócio. Esse caminho é conhecido como “vale da morte” da inovação, etapa em que pesquisas precisam superar barreiras técnicas, financeiras e regulatórias para chegar ao mercado.

Ampliar as conexões entre ciência, tecnologia, empreendedorismo e mercado é, portanto, parte do desafio para fortalecer a bioeconomia. No Tocantins, essa integração pode contribuir para que a biodiversidade do Cerrado e da Amazônia deixe de ser vista apenas como fonte de matéria-prima e passe a ser também uma base para conhecimento, inovação, geração de valor e desenvolvimento sustentável.

Claudia Auler – Vice-coordenadora do Parque de Empreendedorismo, Qualidade Socioambiental e Inovação Tecnológica da Universidade Federal do Tocantins (Pequi-UFT).

Engenheira de alimentos pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), mestre e doutora em Microbiologia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), com estágio doutoral no México. É professora da UFT, docente permanente dos Programas de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA) e em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT). Coordena o Laboratório de Microbiologia de Alimentos, integra a Unidade EMBRAPII Bioindústria e Bioinsumos. Atua em microbiologia e biotecnologia de alimentos, bioprospecção de microrganismos, desenvolvimento de novos produtos, propriedade intelectual e transferência de tecnologia. (Claudia Auler/Pequi-UFT)

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