Futebol e o desperdício de camisas: um modelo insustentável
Camisas geram milhares de toneladas de lixo – Foto: Getty Images
A paixão por camisas de futebol tem um alto custo ambiental. Só no Reino Unido, o setor descarta o equivalente a 500 milhões de camisas por ano, refletindo um modelo de negócios focado em volume e renovação constante. No Brasil, a produção também é intensa. O mercado nacional gera cerca de 400 milhões de peças originais por ano
A indústria de artigos esportivos, especialmente a ligada ao futebol, movimenta bilhões. Em 2022, o mercado global de roupas de futebol foi avaliado em 73,3 bilhões de euros, com projeção de atingir 101 bilhões até 2028. A Europa lidera essa expansão, sendo responsável por mais da metade do crescimento esperado.
Clubes e patrocinadores apostam em lançamentos frequentes para aumentar receitas. O Napoli, por exemplo, lançou 13 camisas diferentes em apenas uma temporada (2021/22). Já o Real Madrid lidera a arrecadação mundial com 196 milhões de euros só em vendas de uniformes.
Top 5 clubes que mais lucram com camisas, com dados da União das Associações Europeias de Futebol:

- Real Madrid – 196 milhões de euros
- Bayern de Munique – 171 milhões
- Barcelona – 171 milhões
- Liverpool – 146 milhões
- Manchester United – 146 milhões
No Brasil, a produção também é intensa. O mercado nacional gera cerca de 400 milhões de peças originais por ano. Cada clube da Série A lança em média três uniformes por temporada, com até 240 mil camisas por clube anualmente – número ainda maior no caso de clubes como Flamengo e Corinthians.
Além disso, cada clube organiza cerca de 30 mil peças de enxoval (incluindo roupas de treino, viagem e jogo). Em campo, cada partida exige 75 uniformes, e os atletas geralmente ficam com duas camisas por jogo.
Esse consumo acelerado leva a um grande desperdício. Estima-se que US$ 500 bilhões (R$ 2,8 trilhões) em valor de produto são perdidos anualmente, entre peças descartadas e não recicladas. A vida útil de uma camisa raramente passa de 10 meses, sendo logo substituída por um novo modelo.
No Brasil, a pirataria também impacta o mercado: são mais de 170 milhões de peças falsificadas, gerando um prejuízo estimado em R$ 20 bilhões.
O modelo atual de produção e consumo de camisas de futebol é economicamente lucrativo, mas ambientalmente insustentável. A busca por alternativas mais duráveis e sustentáveis se torna urgente para equilibrar paixão e responsabilidade.
(Com informações de Rodrigo Lois – https://ge.globo.com/)

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