Recusar alimentos nem sempre é “frescura”, especialistas alertam para seletividade alimentar
I hate a vegetables! I’m not eating this!
A seletividade alimentar, comum na infância e que pode persistir na adolescência e até na vida adulta, é caracterizada pela recusa severa a determinados alimentos devido a cor, textura, cheiro ou sabor. Longe de ser “birra” ou “frescura”, trata-se de uma dificuldade alimentar que pode estar associada a fatores sensoriais, comportamentais ou neurológicos.
Se não tratada, essa condição pode dar origem ao Transtorno Alimentar Restrito Evitativo (TARE), no qual pode causar déficit ou carência nutricional, proporcionando perda de peso severa em adultos ou impossibilitando o crescimento e desenvolvimento em crianças.
A professora e nutricionista da Afya Palmas, Gabriela Mendes, explica que as preferências alimentares podem começar ainda na gestação. “Já temos pesquisas que evidenciam que as preferências alimentares do bebê já começam a ser moldada ainda na gestação, se fortalecendo na amamentação e posteriormente na introdução alimentar. Assim, é importante alertarmos os pais que hábitos não saudáveis dos responsáveis não geram hábitos saudáveis nas crianças”.
Como identificar a seletividade?
É importante ressaltar que há diferença entre seletividade e alergia ou restrição. Isso acontece, pois, reações alérgicas a alimentos, como frutos do mar, por exemplo, ou a rejeição à alimentos com glúten e lactose, são uma reação do organismo que rejeitam os nutrientes característicos desses alimentos.
Mas como identificar a seletividade alimentar? Nesse caso, os alimentos não necessariamente provocam efeitos negativos no organismo. A recusa costuma estar mais relacionada a fatores comportamentais e de saúde mental. Entre os sinais mais comuns estão a preferência por comer sempre os mesmos alimentos, a rejeição a grupos alimentares específicos, como frutas ou leguminosas, e até a resistência física, quando a criança fecha a boca e impede a ingestão do alimento.
De acordo com a nutricionista, para identificar a seletividade é importante testar o alimento em diferentes combinações. “Na fase de introdução alimentar, é fundamental que o mesmo alimento seja oferecido diversas vezes, em diferentes combinações, texturas e preparações, para que seja possível avaliar com mais segurança se há, de fato, uma não aceitação ou um quadro de seletividade”.
Seletividade alimentar na infância
Na infância, a seletividade alimentar é dividida entre “leve” ou “alta”, ou ainda está associada a alguma doença orgânica. Segundo o Guia de Orientações — Dificuldades alimentares da Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças que apresentam seletividade leve consomem uma menor variedade de alimentos e não aumentam essa variedade mesmo ao serem expostas.
A Pediatra e professora da Afya Unitpac, Dra. Alianra Orlandino, reforça que “algum grau de seletividade alimentar é comum na infância e, muitas vezes, está ligado a fases de desenvolvimento ou preferências passageiras. O que acende o alerta é quando essa restrição se torna muito intensa, persistente e começa a limitar o repertório alimentar ou gerar sofrimento nas refeições. Nesses casos, especialmente quando há sensibilidade a texturas, cheiros ou cores, é importante investigar se há questões sensoriais associadas, como no Transtorno do Espectro Autista. Ou seja, deixa de ser apenas uma ‘birra’ quando passa a trazer impacto real para a saúde, o crescimento ou a rotina da criança.”
Quem apresenta essa condição pode só aceitar alimentos com as mesmas características, grupos alimentares, marcas ou formas de preparo. É comum ainda que apresentem irritabilidade, náusea ou vômito ao serem expostas e/ou encorajadas a experimentarem novos alimentos. Para além disso, conflitos familiares e coerção durante as refeições podem agravar essa condição, além de poder levar à ansiedade, quadros mais graves de agressividade ou a quadros depressivos.
De acordo com a Dra. Aliandra, o acompanhamento profissional é fundamental, já que a seletividade alimentar pode evoluir para quadros mais graves, como deficiências nutricionais, prejuízos no crescimento e até subnutrição. A pediatra destaca que é essencial que os responsáveis relatem ao médico qualquer mudança no comportamento alimentar da criança, permitindo uma avaliação adequada e, quando necessário, a condução de um acompanhamento multidisciplinar.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.
Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar.
Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br

Deixe o Seu Comentário