Dia do Circo: Secult celebra uma das mais completas e populares linguagens artísticas do mundo

 Dia do Circo: Secult celebra uma das mais completas e populares linguagens artísticas do mundo

A Secretaria da Cultura do Tocantins (Secult) celebra o Dia Nacional do Circo neste 27 de março, data dedicada à valorização de uma das linguagens artísticas mais completas e populares do mundo. No Tocantins, essa arte não se limita apenas ao espetáculo sob a lona; ela se acende como uma expressão cultural, presente em espaços estruturados, ações comunitárias e projetos de formação que movimentam a economia criativa de ponta a ponta do estado.

No Brasil o dia foi escolhido em homenagem ao nascimento de Abelardo Pinto, conhecido como o palhaço Piolin, nascido nesta data em 1897. O artista foi um dos maiores palhaços brasileiros, famoso na década de 1920 por seu talento em contorcionismo, acrobacias e humor.

O secretário de Estado da Cultura, Adolfo Bezerra, parabenizou a classe destacando a importância das iniciativas executadas durante a gestão do governador Wanderlei Barbosa e se colocou à disposição para desempenhar um papel estratégico na democratização do acesso aos recursos.

“Parabenizamos todos os profissionais da cultura circense que, com dedicação, talento e resistência, mantêm essa arte viva em todo  estado.  São trabalhadores que contribuem diretamente para a formação cultural da população e para o fortalecimento das nossas identidades locais. A Secretaria da Cultura segue empenhada em ampliar o acesso às políticas públicas de fomento, garantindo que o circo, em suas diversas formas de expressão,  tenha condições de produzir, circular e desenvolver seus projetos, e continue crescendo para alcançar cada vez mais tocantinenses”, destacou.

Embora o palhaço seja a figura mais relacionada ao tema, a arte circense é sustentada por uma rede multidisciplinar de profissionais. O espetáculo ganha forma por meio da técnica de malabaristas, acrobatas, pernaltas e equilibristas, que exigem preparo físico de alto rendimento e treino diário. Nos bastidores, a estrutura depende de produtores culturais, técnicos de som e luz, montadores e cenógrafos, que garantem a segurança e a estética das apresentações, seja sob a lona ou na rua.

No Tocantins, a linguagem circense também se destaca como ferramenta de formação. Oficinas, projetos sociais e atividades educativas  que utilizam o circo para desenvolver habilidades como disciplina, trabalho em equipe, coordenação motora e expressão artística, especialmente entre crianças e jovens.

O único circo fixo do estado

Um dos principais exemplos é o Ponto de Cultura Cia. de Circo Os Kaco, localizado no distrito de Taquaruçu, em Palmas. Fundada originalmente em 2009, a companhia se estabeleceu na serra tocantinense em 2013, onde fundou o Centro Cultural Circo Os Kaco, o único circo fixo do estado. Certificado como Ponto de Cultura desde 2015, o grupo atua na democratização do acesso à cultura por meio de apresentações, oficinas e eventos de grande porte.

O trabalho da companhia vai além do entretenimento, une a arte do picadeiro ao conceito de sustentabilidade. No projeto PermaCirco, a Cia Os Kaco aplica práticas de permacultura, bioconstrução e agroecologia ao seu cotidiano, o que gera educação ambiental para a comunidade e visitantes. Além disso, o Ponto de Cultura é o realizador do Festival de Circo de Taquaruçu, que já alcançou sua 12ª edição em 2025. O evento anual atrai artistas do mundo inteiro e já reuniu milhares de espectadores, transformando Taquaruçu em um polo circense de destaque na  região Norte.

O espaço físico do centro cultural é projetado para ser inclusivo, com acessibilidade arquitetônica e atividades voltadas ao Circo Social. Semanalmente, crianças e jovens da comunidade participam de aulas de técnicas circenses, capoeira angola e percussão, utilizando a arte como ferramenta de transformação social e cidadania. Atualmente, a gestão é composta por uma equipe multidisciplinar que mantém o local ativo com uma programação regular de espetáculos e vivências que conectam cultura, natureza e inclusão.

Além das atividades sociais, a sede abre aos finais de semana com o Circo Adventure, permitindo que visitantes vivenciem oficinas recreativas de malabares e técnicas aéreas em contato com a natureza.

Trupe Itinerante 

A diversidade da produção circense tocantinense também se expressa em grupos itinerantes, como a Trupe-Açu. Sediada no distrito de Taquaruçu, a companhia de circo e teatro de rua se destaca pela palhaçaria feminina unida à cultura popular. O coletivo tem como figuras centrais as artistas Ester Monteiro, que dá vida à Palhaça Tapioca, e Giovana de Castro, intérprete da Palhaça Girassol. O grupo utiliza o circo como ferramenta de ocupação do espaço público, tendo como um de seus símbolos a Kombi 97, um veículo adaptado que funciona como casa, camarim, palco e cineclube ambulante,  que permite que a trupe leve seus espetáculos a comunidades de difícil acesso em todo o Tocantins e em outros estados brasileiros.

O trabalho da Trupe-Açu é profundamente conectado às raízes regionais e ao protagonismo das mulheres nas artes circenses. Entre suas criações mais recentes está o espetáculo “Ciranda das Quebradeiras”, que homenageia as quebradeiras de coco babaçu misturando elementos da palhaçaria e tradições afro-indígenas. Além disso, a obra ‘As Charlatonas’, que utiliza a comicidade para dar visibilidade a inventores e cientistas, mulheres cujas histórias foram apagadas pelo tempo. O grupo também assina a realização do ‘Cabaré Mama Cadela’, um evento que reúne artistas mulheres para vivências e apresentações de variedades, fortalecendo a rede da palhaçaria feminina no norte do país

Ao refletir sobre a trajetória do grupo e o significado da data, Ester Monteiro, a Palhaça Tapioca, destaca que o trabalho é fruto de uma construção coletiva e territorial.

“São 17 anos dedicados ao circo no Tocantins com a Trupe-Açu, atuando de forma itinerante e mantendo viva a arte da palhaçaria. É uma honra seguir levando alegria com responsabilidade, estudo e compromisso com o nosso território. Para nós, isso representa resistência e memória. A data celebra a vida de Piolin, uma grande referência, e nos convida a refletir sobre a importância de continuar preservando e fortalecendo a nossa arte. O circo é um espaço democrático e de encontro; a palhaçaria dialoga com o território, valoriza as tradições locais e traz reflexão. É uma forma de fortalecer vínculos e reconhecer as histórias de cada lugar,” comentou Ester.

O público terá a oportunidade de conferir de perto o talento da TrupeAçu em duas apresentações especiais com o espetáculo ‘A Ciranda das Quebradeiras’, ambas na sexta-feira, 27. A primeira acontece às 10h, na sede do Ponto de Cultura Unidos Por Um Mundo Melhor (UPMM), no Jardim Aureny I.  Já às 18h, o grupo se apresenta na II Feira Estadual da Reforma Agrária (MST), realizada no Espaço Cultural José Gomes Sobrinho, em Palmas.

Artistas independentes 

Além dos grupos estruturados, o Tocantins também é representado pelos artistas independentes que mantêm a linguagem circense em circulação, trabalhando em eventos, escolas e ações comunitárias e festivais.

Entre eles está Ilê dos Santos, conhecido como Palhaço Loki, atua em Palmas como multiartista, ator e educador em artes circenses. Agente cultural pelo Ponto de Cultura Coletivo Teatro da Essência, ele desenvolve trabalhos voltados à arte-educação e à atuação em espaços comunitários.

“Eu já tinha quase 20 anos no teatro quando o circo mudou a minha forma de ver o mundo e a arte, principalmente a arte de rua. O circo, em si, nasceu dos indesejados. Por muitos anos, foi mantido por famílias nômades, e hoje os artistas de rua são maioria, em comparação aos circos de lona, no Brasil. O circo não é só entretenimento: é ferramenta de desenvolvimento pessoal, de educação e de transformação social, e é isso que sempre busco na arte. Ainda sinto falta de uma cultura de circo mais forte, mais presente. Um artista de circo profissional treina tanto quanto um atleta de alto rendimento, e fazer isso por conta própria merece respeito, difusão e fomento. Para isso, o poder público é essencial”, afirma o artista.

Outro exemplo é o ‘Circo Kikintura’, projeto que também dá nome ao palhaço interpretado por Emanuel Eduardo Cardoso dos Santos, ao lado de Amanda Flor. Juntos, transformam o entretenimento infantil em experiências lúdicas e acessíveis, sendo presença constante em festivais, shoppings e eventos na capital e em outras regiões do estado.

Ao falar de circo e animação em Palmas, também se destaca o trabalho de Magnum Santos, artista que dá vida ao Palhaço Batatinha Frita. Referência no entretenimento da capital, ele participa de grandes eventos e projetos culturais, como a “Cantata de Natal”, na Praça dos Pioneiros, e o projeto “Rota da Alegria”, em escolas municipais de todos estado. Sua atuação independente inspira novos artistas e mantém viva a tradição da bufonaria, adaptada aos contextos contemporâneos.

Literatura 

Outra forma de propagar a cultura circense é por meio da literatura.  Um exemplo é o projeto Circo EcoAção, idealizado pelo palhaço, equilibrista, malabarista e músico Gerónimo Martín, que, ao lado da ilustradora Sara Gomes, utiliza o tema para trazer luz à urgência da sustentabilidade por meio da fábula “Hérico e a Magia da Reciclagem”. Realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria da Cultura do Tocantins (Secult), a obra apresenta o palhaço Hérico navegando pelos rios tocantinenses em uma canoa de folha gigante, ensinando práticas de reciclagem em uma narrativa lúdica voltada ao público infantil. O livro reforça o papel social do artista circense como agente transformador e está disponível gratuitamente para acesso do público através deste link. 

Política de fomento

A Secult tem atuado para fortalecer  o setor por meio de editais de fomento, como os da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que têm possibilitado a realização de projetos, a circulação de espetáculos e o desenvolvimento de ações formativas em diferentes regiões do estado.

Ao celebrar o Dia do Circo, o Tocantins evidencia a força de uma linguagem que resiste, se reinventa e segue presente no cotidiano das comunidades. Entre lonas, ruas e espaços culturais, o circo permanece como expressão viva, que impulsiona o trabalho de artistas, grupos e políticas públicas que garantem sua continuidade no estado. ( por, Karla Rayane / Governo do Tocantins)

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